Estudo também apresenta recomendações de como alinhar os programas atuais de qualificação e requalificação profissional às necessidades dos jovens e demandas do mundo do trabalho

O Itaú Educação e Trabalho e a Fundação Arymax lançaram nesta quinta-feira, dia 19 de março, o estudo “(Re)qualificação da juventude em um mundo em transformação”, com elaboração técnica do Instituto Veredas, em evento no Itaú Cultural, em São Paulo (SP).
A pesquisa indica que um a cada três brasileiros estará fora da faixa etária economicamente ativa em 2040 – que compreende pessoas de 15 a 64 anos – sendo dependente da força de trabalho dos demais. Enquanto em 2025 existiam 45 pessoas inativas para cada 100 ativas, essa quantidade passará para 58 em 2050, e para 75 em 2070. O envelhecimento populacional exigirá maior produtividade das juventudes para sustentar a crescente demanda por cuidado para crianças e idosos.
Além disso, as novas tecnologias e os desafios da questão ambiental já estão impactando de forma significativa o mundo do trabalho e as trajetórias de formação profissional. Esses aspectos demandam promoção da digitalização e incorporação de práticas sustentáveis no setor produtivo, associadas ao desenvolvimento de competências profissionais para quem integra e quem integrará o mercado de trabalho. Por isso, há uma necessidade urgente de qualificação e requalificação de jovens para o mundo do trabalho para que o Brasil não fique para trás em seu desenvolvimento econômico.
“O fim do bônus demográfico e as mudanças no mundo do trabalho tornam necessárias e, de forma urgente, a formação e a inclusão produtiva e digna dos jovens hoje. É uma forma de garantir que o país promova uma trajetória ocupacional de qualidade e que contribua para o bem-estar social no futuro. Políticas públicas de qualificação e requalificação que alcancem todas as juventudes, principalmente as que estão em situação de vulnerabilidade, devem ser efetivas para combater desigualdades já existentes,” afirma Cacau Lopes da Silva, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Implementação do Itaú Educação e Trabalho.
A partir da revisão de 211 documentos nacionais e internacionais, além de entrevistas, grupos focais e oficinas com 40 participantes, entre eles jovens, gestores públicos, especialistas e representantes do setor produtivo, durante um período de seis meses em 2025, o estudo traçou uma série de recomendações e ações para qualificar profissionalmente jovens em cinco eixos mais críticos:
1- ajustar os programas de qualificação profissional ao perfil do público-alvo;
2- oferecer programas de qualificação profissional de excelência;
3- melhorar a conexão entre os programas de qualificação profissional e estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo;
4- melhorar a integração entre as diferentes formações, favorecendo a verticalização e a requalificação;
5- fortalecer a governança dos programas e sua orientação a resultados.
Recomendações por eixo
Primeiro eixo – Público-Alvo - A adaptação ao público-alvo inclui a valorização de aprendizagens prévias, inclusive informais, no processo de qualificação e a retomada de trajetórias formativas interrompidas. Prevê, também, a necessidade de desenvolvimento de habilidades socioemocionais, cursos com horários flexíveis, facilitação do acesso aos programas e oferta de auxílio-financeiro durante a formação.
Segundo eixo – Qualidade e Excelência - Propõe a oferta de programas de qualificação de excelência, a partir do uso de metodologias que gerem engajamento e permitam desenvolver competências que atendam diversas áreas de atuação, além de conexão de cursos com a demanda por profissionais e, também, estratégias de apoio no pós-curso, que promovam empregabilidade e progressão profissional aos jovens.
Terceiro eixo – Conexão com a demanda de médio e longo prazo - Recomenda melhoria da conexão entre os programas de qualificação profissional e estratégias de desenvolvimento de médio e longo prazo. Segundo a pesquisa, formações desconectadas das demandas territoriais tendem a gerar frustração e resultados limitados. Recomenda-se mapear demandas locais, aproximar programas de setores promissores como as economias verde, digital, criativa e do cuidado e integrar a qualificação a políticas de desenvolvimento territorial, de modo que a formação esteja alinhada às oportunidades reais de trabalho.
Quarto eixo – Integração entre formações - Aponta para a necessidade de integrar as diferentes formações em um sistema mais coerente e progressivo. A fragmentação atual faz com que muitos jovens acumulem cursos curtos que não se conectam entre si. O estudo defende a criação de itinerários formativos verticalizados, com certificações modulares e reconhecimento de competências, permitindo que os participantes avancem do nível inicial ao técnico ou superior sem perder os aprendizados acumulados ao longo do percurso.
Quinto eixo – Governança e Resultados - Fortalecer a governança e a orientação a resultados dos programas também é uma recomendação em destaque. Para que isso seja possível, é necessário ampliar a coordenação entre governo, setor produtivo e organizações formadoras. Instâncias colaborativas, participação ativa das juventudes, financiamento vinculado a metas e sistemas integrados de monitoramento precisam ser considerados de forma a evitar a sobreposição e lacunas nas intervenções.
O estudo ainda avalia que, para lidar com os desafios de dependência da força de trabalho do futuro, é fundamental abordar de maneira estratégica os programas de qualificação profissional e como esses são integrados nas trajetórias formativas dos jovens. A partir de novos formatos de cursos e formas de articulação entre programas será possível estabelecer um sistema de qualificação ágil e flexível.