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Percurso formativo contínuo em mesma carreira colabora para inserir jovens no mundo do trabalho

Mundo da EPT

Integração entre níveis de ensino e reconhecimento de aprendizados prévios ajudam na qualificação para o mercado profissional

O ensino técnico pode proporcionar aos jovens uma formação com início no ensino médio e continuidade no ensino superior em uma mesma área. Esse tipo de percurso formativo é chamado de itinerário contínuo (ou verticalização) e permite que o estudante avance de forma progressiva em seu aprendizado, sem rupturas ou interrupções.

A principal vantagem do itinerário contínuo é que há ganho de continuidade formativa, ou seja, ele forma profissionais com competências aprofundadas e atualizadas em uma área específica, com otimização de tempo e esforços. Isso ocorre porque o estudante vai progredindo do nível básico ao avançado, de forma integrada, em uma trajetória contínua da escola à universidade, que evita, por exemplo, que ele repita conteúdos já estudados antes e, ao mesmo tempo, aprofunda seus conhecimentos da área.

Além disso, o jovem pode entrar no mundo do trabalho com uma qualificação inicial de técnico de nível médio e seguir se especializando e ampliando suas competências na mesma área, na graduação, enquanto já trabalha, o que aumenta suas chances de evolução na carreira.

Para que o itinerário contínuo aconteça, é necessário que a secretaria de educação estabeleça uma boa organização curricular e regras para a progressão acontecer, o que requer diálogo e parceria entre a rede estadual de educação e a universidade, de maneira que o estudante avance da escola à graduação de forma fluida e estratégica, com aproveitamento de conhecimentos prévios.

Exemplos em SP, BA e PB

Em São Paulo, no Centro Paula Souza (CPS), autarquia vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) e responsável pela oferta do ensino técnico no estado, a verticalização acontece há alguns anos. Um exemplo real ajuda a ilustrá-la: um estudante pode fazer o curso técnico em desenvolvimento de sistemas no ensino médio, seguir para o ensino superior em análise e desenvolvimento de sistemas (ADS) ou banco de dados e depois fazer uma pós-graduação em desenvolvimento de software, gestão de TI ou áreas correlatas.

Em termos práticos, esse estudante pode começar na escola técnica, já entrar no mundo do trabalho como técnico/programador júnior e depois continuar a graduação, evoluindo para funções como desenvolvedor pleno, analista ou arquiteto de sistemas, sem mudar de área e com claro aproveitamento da formação anterior.

Na Bahia, uma parceria foi firmada desde 2019 entre o Centro Estadual de Educação do Chocolate Nelson Schaun (CEEP do Chocolate), em Ilhéus (BA), e a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Itabuna (BA), para a elaboração e a oferta do itinerário contínuo no setor cacaueiro. A proposta é de continuidade dos estudos da escola estadual, que oferta o curso técnico de nível médio em agroindústria: produção de cacau, chocolate e derivados, para o ensino superior, na universidade federal, que oferece o curso superior de tecnologia em produção de cacau e chocolate.

A fim de assegurar a continuidade vertical dos estudos, foi criado um sistema de validação na graduação, de créditos das disciplinas do curso técnico de Ilhéus. Além disso, metade das vagas do curso superior de tecnologia na universidade federal é reservada aos jovens formados no curso técnico de nível médio, com acesso por edital específico e com utilização das notas do Enem. Na graduação, eles podem escolher em qual etapa da produção cacaueira preferem focar.

Na Paraíba, o curso superior de tecnologia em energias renováveis, criado por meio de parceria e elaboração coletiva entre as Secretarias de Estado da Educação (SEE) e da Ciência e Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (SECTIES) e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), está sendo ofertado desde novembro de 2021 no município de Sousa (PB). A formação de tecnólogo com proposta de itinerário contínuo tem reserva de 70% das vagas para egressos dos cursos técnicos de nível médio em energias renováveis ofertados nas Escolas Cidadãs Integrais Técnicas (ECITs).

Para ser aprovado na UEPB, o estudante que conclui o curso técnico de nível médio em energias renováveis precisa ter rendimento acadêmico superior ou igual a 7,0 e encaminhar os documentos comprobatórios. Na graduação, existe uma permissão para o estudante validar seus créditos em Atividades Acadêmico Científicas-Culturais (AACC), mediante a apresentação de certificados de participação e organização de eventos, de cursos e minicursos e de estágio no ensino médio.