Ex-aluna do curso técnico em Artesanato encontrou uma nova trajetória profissional após a aposentadoria

A ex-aluna do curso técnico em Artesanato do Centro de Educação Profissional em Artes Visuais Cândido Portinari, em Macapá (AP), Ana Cristina Martinez, inscreveu-se no curso depois de se aposentar como funcionária pública. Ao perceber que ainda se sentia apta para o trabalho e não desejava parar, encontrou, por meio das redes sociais, os cursos técnicos da instituição. Matriculou-se e descobriu competências que não imaginava ter.
Com o avanço das tecnologias digitais e novas competências surgindo em um ritmo cada vez mais intenso, a requalificação profissional para a reinserção produtiva se torna cada vez mais necessária e determinante para o futuro.
Apesar de não saber desenhar ou pintar quando se inscreveu no curso técnico, Ana Cristina desenvolveu, ao longo das aulas, tanto técnicas artísticas próprias do artesanato quanto habilidades de empreendedorismo para divulgar seus novos trabalhos. “Pegar um pincel e passar em uma tela é uma coisa, mas fazer isso com técnica é outra. Saber aplicar uma técnica em macramê, em tecido, trabalhar com materiais alternativos, como papelão e argamassa, que seriam desperdiçados na construção civil, e transformar isso em novos objetos artesanais é incrível. Quando me vi fazendo isso e descobrindo novas oportunidades aos 60 anos, foi maravilhoso. Eu me surpreendi”, conta.
A artesã acredita que muitas pessoas, ao se aposentarem, também compartilham o desejo de continuar trabalhando e recomenda, a quem se encontrar nessa fase, que considere um curso técnico, como ela fez. “A vida não para. De repente, dentro de você, existe um potencial para desenvolver uma atividade diferente daquela que você exerceu por anos”, afirma. “Nunca é tarde para se redescobrir. Venha conhecer a escola, conversar com nossos professores e assistir a uma aula. Porque depois que a gente entra por essas portas, os aprendizados vividos ali nunca mais saem da gente”, convida.
Após concluir o curso, Ana Cristina passou a refletir em suas obras a riqueza da história dos povos indígenas que habitaram o estado do Amapá. “Na arte, nós reproduzimos aquilo que está ao nosso redor e o que está ‘em alta’ no mundo”, afirma, ao relembrar a diversidade étnica do estado, presente em produções como os grafismos maracá e cunani e no trabalho das louceiras do Maruanum. “Dentro de toda essa riqueza, ainda temos que lutar para mudar a Lei do Artesanato, porque certos tipos não são reconhecidos. Precisamos mostrar às pessoas que têm o poder de construir as leis que existem várias formas de artesanato e que ele está presente em tudo”, conclui.
(Depoimento dado à equipe do Itaú Educação e Trabalho em setembro de 2024)
Conheça outras histórias da série Novos Retratos da EPT:
“Na escola você aprende a parte técnica e também se desenvolve como indivíduo”
“Pais são responsáveis pela entrada e permanência do aluno na escola”
“O conhecimento de Tecnologia da Informação pode ser usado em qualquer área ou carreira que o aluno seguir”