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2ª edição do Trampos do Futuro apresenta mundo do trabalho e economias do futuro para jovens

Eventos

Evento foi realizado nos dias 20 e 21 de agosto na Fundação Bienal, em São Paulo, com palestras, ativações e oficinas para estudantes conhecerem economias do futuro e entrada para o mundo no trabalho

Jovens de São Paulo tiveram a oportunidade de, nos dias 20 e 21 de agosto, participar da 2ª edição do “Trampos do Futuro”, evento realizado pela Fundação Itaú, por meio do Itaú Educação e Trabalho, na Fundação Bienal, para aproximá-los de profissões, caminhos e oportunidades no mundo do trabalho.

Com a presença de mais de 5 mil estudantes da rede pública e de professores, o evento trouxe espaços com palestras e oficinas sobre as economias do futuro, mentorias com especialistas, apresentação de projetos de estudantes, informações sobre ensino superior e oportunidades relacionadas à carreira.

Entrada no mundo do trabalho e Espaço Carreiras

Empresas e organizações fizeram ativações e deram dicas para os jovens em temas sobre os primeiros passos no mundo do trabalho. Entre elas estão o Instituto Caldeira, Instituto PROA, Auren Energia, Instituto Percorre, Fundação Roberto Marinho, Grupo Pão de Açúcar, Instituto Via de Acesso, ISBET, FESA Croma, Demà - Renapsi, Espro, Instituto Sol, Juventudes Potentes e CIEE.

Também foi oferecido apoio aos jovens interessados na busca pelo primeiro emprego. A Núclea Associação, por exemplo, ofereceu espaço com produção de fotos profissionais, apoiando os participantes na construção de sua presença digital e na preparação para oportunidades de trabalho. O Juventudes Potentes ofereceu mentorias individuais com duração de 30 minutos, conduzidas por profissionais do mercado, com orientação para elaboração de currículos e preparação para entrevistas de emprego.

Os jovens puderam participar, ainda, de uma série de palestras. O Instituto Percorre abordou o tema “Analisando suas skills”, em que propôs aos participantes  que preenchessem uma espécie de “passaporte” com os documentos requeridos para ingressar em suas carreiras profissionais e identificassem as suas soft, hard e digital skills. Já a Fundação Itaú, na programação “Processo seletivo na prática”, descreveu os passos comuns no processo de contratação, de entrevista a atividades em grupo, e deu dicas para se sair bem e manter a calma.

“Como se preparar para processos seletivos” foi uma conversa com Kelliane Santos, que faz a gestão do Programa Aprendiz e é analista de recrutamento do Itaú Unibanco. No encontro, ela ensinou como preencher suas informações no currículo ou ferramenta de seleção, como participar de dinâmicas em grupo e fazer apresentação individual. Também deu dicas de recrutadora sobre como se destacar em etapas de seleção para vagas diversas, como pesquisar sobre a oportunidade e instituição antes da entrevista, compartilhar informações individuais de forma diversa, cronológica e contando uma história, além de ouvir e se posicionar em dinâmicas de grupo.

Marcia Sales apresentou dicas práticas aos jovens de como avaliar os pontos fortes e características pessoais que demandam aprimoramento para conquistar oportunidades profissionais. “Durante uma semana, monte uma reflexão de quais são os seus pontos fortes. Peça a três pessoas que gostam de você para dizer um defeito e três qualidades. Então, você vai começar a fortalecer esses pontos frágeis”, sugeriu ela, como maneira de desenvolver aspectos como organização, otimização de tempo, encontrar soluções simples para um problema por vez, escuta, proatividade, entre outros.

Além disso, ao longo do evento, marcou presença a ativação “Match Profissional”, dinâmica em que os jovens precisavam avaliar ao menos três atividades ou programações que tivessem acompanhado. A partir disso, a ferramenta, de maneira personalizada e individual, apontava possíveis profissões e áreas das novas economias que mais combinam com o perfil do estudante.

Palestras e rodas de conversa

O “Palco Conhecimento” reuniu uma série de palestras com especialistas em suas áreas. “Do curso ao crachá: como entrar no mercado de tecnologia?”, realizada pela Brasscom e Núclea Associação, abordou as transformações no mundo do trabalho provocadas pelo avanço tecnológico e a necessidade de atualização constante dos profissionais. A discussão destacou que, mesmo com o crescimento da inteligência artificial e de competências técnicas relacionadas a áreas como dados e cibersegurança, seguem essenciais as habilidades sociocomportamentais, como resiliência, criatividade e pensamento analítico. A mensagem para os jovens foi de que o futuro do trabalho exigirá aprendizado contínuo e capacidade de acompanhar as mudanças do mercado.

Já a palestra “Energia e as oportunidades do futuro”, da Auren Energia, conduzida por Ana Carolina Campos de Souza, executiva comercial da empresa, apresentou aos jovens as transformações do setor diante das mudanças climáticas, da digitalização e do avanço da inteligência artificial. Com a transição energética em curso, novas carreiras e possibilidades profissionais vêm surgindo, demandando profissionais de diferentes áreas.

No Palco Conexão, Rick Trindade, do Perifa na Lista, falou sobre os desafios de acesso à cultura para jovens que vivem fora dos grandes centros urbanos, como no interior da Bahia. Foi a partir dessa realidade que nasceu o Perifa na Lista, projeto social que atua nas frentes de comunicação, impacto social e cultura e que, em três anos, já beneficiou mais de três mil jovens. A conversa também mostrou que o setor cultural oferece diferentes possibilidades de atuação profissional para as juventudes, em áreas como elaboração de projetos culturais, curadoria, produção executiva, captação de recursos e educação museal e mediação.

Na Arena das economias do Cuidado e Prateada, a palestra “Por que e como ser um profissional inclusivo”, realizada pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM) e conduzida pela especialista em Gestão da Educação do IRM, Deigles Amaro, discutiu com os jovens a importância da inclusão na sociedade e no mundo do trabalho. A conversa abordou o papel da escola, o respeito às diferenças, a acessibilidade e o enfrentamento ao capacitismo. “Quem atua na economia do cuidado e prateada precisa compreender como pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia de cada pessoa. É preciso reconhecer que cada ser humano tem suas próprias características e criar ambientes acolhedores, que respeitem as diferenças”, destacou Deigles.

A roda de conversa “Aprendizagem que transforma”, do Juventudes Potentes, reuniu quatro jovens que compartilharam experiências sobre a entrada no mundo do trabalho, os desafios do início da trajetória profissional e a importância da formação. Laura Cardoso destacou um desafio: “Muitos jovens de baixa renda não têm contato com o mundo do trabalho e acabam ficando desamparados. A escola ainda não prepara o jovem para essa realidade”. Já Juan André destacou o papel do ensino técnico em sua trajetória: “O ensino técnico traz muitas oportunidades para quem está no Ensino Médio. Para mim, foi importante para entender os primeiros passos no mundo do trabalho, aprender como me comportar nesse ambiente e vivenciar o mundo corporativo. Isso me ajudou a enxergar espaços que nunca imaginei que poderia ocupar”.

A palestra “Desafios e perspectivas de se empreender na periferia” foi encabeçada por Thiago Vinícius, mente por trás do empreendimento social Organicamente Rango. A conversa procurou fazer com que os jovens pensassem no que está faltando em cada um dos bairros em que moram, se inserindo na economia de forma a melhorar não apenas suas vidas, mas também a de seus vizinhos. “A gambiarra é um conceito, o de desenvolver serviços e tecnologias que também possam se aplicar a outras comunidades,” disse.

“Carreiras, clima e soluções para um mundo em transformação – como repensar nossa carreira e futuro?” foi uma palestra conduzida por João Pedro Fragoso, integrante da rede de líderes do Mapa Educação. Ele apresentou a importância de políticas públicas de mitigação do impacto das mudanças climáticas, que já pode ser sentido com picos de calor, frio e rajadas de vento fora de época na capital paulista. “Clima não é um setor e sim um contexto, em que saúde, agricultura, energia, educação, infraestrutura e trabalho se inserem,” disse. “Diversas áreas de trabalho, no futuro, precisarão de um olhar para as mudanças climáticas e profissionais especializados no assunto.”

No espaço “Jovens que inspiram”, foram convidados jovens já inseridos no mundo do trabalho para conversarem com os estudantes sobre suas trajetórias e áreas de trabalho. Leo David, entrevistador das redes sociais do MTV Brasil, compartilhou os diferentes ramos possíveis da comunicação e entretenimento. Afirmou que os canais de TV abriram espaço para as redes sociais e os streamings, e essa transformação acaba favorecendo os jovens que já tem a linguagem digital como bagagem.

Houve, ainda, palestras e conversas pensadas para o público docente que acompanhava os estudantes. Foram apresentados materiais educacionais e de apoio, cursos gratuitos da Escola Fundação Itaú e fortalecimento das práticas em sala de aula. Entre elas, o “Ame sua mente”, um curso pensado para o bem-estar docente, desenvolvimento de habilidades socioemocionais e apoio aos educadores. Gustavo Estanislau, pesquisador, especialista em saúde mental e membro associado do Instituto Ame sua Mente, conduziu um espaço de escuta entre os professores presentes, estimulando-os a vocalizar seus conhecimentos sobre a saúde mental e dando dicas para o dia a dia, como por exemplo, pausas frequentes. “Saúde mental tem a ver com nossos pensamentos e comportamentos. É como andar de bicicleta, estamos em movimento e tentando nos equilibrar,” afirma o especialista. “O prejuízo é o ponto de corte para o desenvolvimento de transtornos mentais.”

O evento também contou com uma Intervenção Artística do grupo Passinhos do Brasil, que apresentou passos de dança urbana de diferentes regiões brasileiras, sinalizando a importância da cultura popular e de quebrada. O grupo defende que a dança, especialmente a que se dissemina nas periferias, também possui lugar no mundo do trabalho. 

Oficinas e ativações

Na Arena Criativa, o Instituto Kondzilla promoveu uma oficina de criadores jovens, ajudando os alunos a compreenderem quais habilidades criativas já desenvolveram e quais seriam os empregos do futuro que irão utilizar essas habilidades.

Também foi oferecida uma oficina elaborada por idealizadoras do Slam das Minas, que é a primeira batalha de poesia falada (poetry slam) com recorte de gênero da capital paulista. Foi proposto um exercício de se imaginar no ano 2050 e escrever um slam, sugerindo que mundo os jovens de hoje irão construir. Ao final, declararam seus slams, em que projetam um futuro melhor e mais igualitário. As idealizadoras do slam, então, convidaram os jovens a pensar no que cada um pode fazer para tornar as idealizações positivas de 2050 possíveis e para que as negativas não aconteçam.

O evento promoveu ainda, oficina de programação em JAVA, oferecida pelo Instituto PROA; oficina de STEAM, com Débora Garofalo Educação, que desafiou os jovens a projetar uma cidade sustentável do futuro, tomando decisões e criando soluções diante de recursos limitados; oficina de roteiro para games, com a Fundação Itaú; oficina com a Fundação Roberto Marinho com dicas práticas e criativas sobre como se tornar um jovem cientista; oficina com o Instituto e Escola Superior Butantan sobre o manuseio de cobras e transformação de veneno em soro; oficina com Aliança Empreendedora sobre empreendedorismo em moda; e mentoria em Inteligência Artificial, com Mentoria na Perifa, que apresentou ferramentas de IA generativa e mostrou, na prática, a importância da construção de bons prompts para obter respostas mais precisas e relevantes.

O Trampos do Futuro contou, também, com outras ações e ativações durante os dois dias, como experiência interativa em que os jovens usam Inteligência Artificial para imaginar e visualizar possibilidades de futuro profissional, do Instituto Coca-Cola; a exposição fotográfica "Meninas Negras em Formação: Sentimentos e Perspectivas", em parceria com o Geledés Instituto da Mulher Negra; e Espaço Universidades, com informações sobre cursos universitários, oportunidades de bolsas e de intercâmbios. A Fundação Roberto Marinho apresentou a Árvore do Amanhã, espaço interativo em que jovens escreveram suas esperanças e expectativas para o futuro.